Nelson de Sá: Em mídia social, perfis saltam do BBB22 e do futebol para a guerra


Até onde foi possível acompanhar, no Brasil, em mídia social, o perfil Choquei, com 1,3 milhão de seguidores no Twitter e voltado essencialmente ao Big Brother Brasil, saiu antes do plantão da Globo no início do ataque na Ucrânia.

E passou a acompanhar o conflito obsessivamente, em meio a notas esporádicas sobre a eliminação no reality show ou o casamento de Lula. Logo foi tirado o complemento BBB22 do nome da conta, que se descreve como "a sua fonte de notícias mais rápida da net".

Foram postagens em série, algumas sem controle, como "Urgente: dezenas de milhares de corpos mortos estão nas ruas da capital ucraniana". Também cenas tiradas da cobertura da CNN (abaixo) e do próprio plantão do Jornal da Globo, em meio a traduções apressadas e até um pedido para os seguidores pararem com as piadas.

Enquanto isso, ao vivo no Twitch, Casimiro conversou longamente com o professor de relações internacionais Tanguy Baghdadi, da PUC do Rio, sobre a guerra. Depois, retornou ao futebol.

Como costuma acontecer em coberturas ao vivo de caráter global, a CNN voltou a concentrar atenção, com relatos de explosões, sendo reproduzida até em sites russos como Kommersant.

Na direita americana, a âncora Laura Ingraham, da Fox News, descreveu o presidente ucraniano como "patético". E Donald Trump voltou a elogiar Vladimir Putin, agora como "inteligente".

Do francês Le Monde ao chinês Guancha e ao New York Times, a maior parte dos sites jornalísticos, sem a dramaticidade das imagens ao vivo, manteve suas manchetes nas primeiras horas com a notícia de que Putin havia ordenado a "operação militar".